
Quando eu penso que o meu filho entrou na adolescência ao mesmo tempo em que entrei na perimenopausa só consigo pensar na frase clássica: a vida não é justa.
Eu ouvi essa frase de uma amiga já na vida adulta e fiquei em choque, pois tinha passado grande parte da minha vida buscando justiça em todos os lugares e situações – grande perda de tempo.
Voltamos ao combo “compre uma adolescência e ganhe uma perimenopausa”: ele com um turbilhão de hormônios e eu com desequilíbrio dos mesmos.
A memória e a paciência foram embora, ele agora tem resposta pra tudo.
Um belo dia acordou e passou a me explicar como as coisas funcionam:
– Mãe, você sabe como funciona um acelerador de partículas?
Eu juro que fico feliz dele estar descobrindo tantas coisas novas, mas não posso negar a irritação que sinto, dele querer me ensinar coisas que eu sei desde antes dele nascer.
A verdade é que dói quando você deixa de ser a referência, a pessoa que ele
pergunta sobre tudo. Apenas dói. Agora os amigos, a internet, as fake news, qualquer fonte de informação, duvidosa ou não, parecem mais interessantes do que você.
Me sinto como um antigo dicionário, Aurélio ou Houaiss, obsoleto e acumulando poeira na estante.
Eu sei que esse movimento é saudável e esperado, mas o que ninguém avisa é que mãe também sente dor de crescimento. Só que de outro tipo, não nos ossos, mas no coração. E a gente tem que deixar eles crescerem e ao mesmo tempo, crescer com eles… e aprender a envelhecer, tudo ao mesmo tempo agora.
A vida não é justa, mas é complexa e linda.
Se você já passou por isso, ou está passando agora, deixe seu comentário aqui.

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