
A gente vive ouvindo que precisa “fortalecer” os filhos. Preparar pra vida, pra frustração, pro mundo lá fora. Mas existe uma pergunta que a gente quase nunca para pra fazer: fortalecer pra quê, exatamente?
Porque força, quando a gente para pra pensar, não é a mesma coisa que autossuficiência. E é aí que mora uma confusão que vale a pena desfazer.
O que a Mari trouxe
Marianna Vaz, colunista da Cheguei na Adolescência, abriu uma série sobre o tema com uma reflexão que ela vem carregando há um tempo: “filhos fortes não são aqueles que pensam apenas em si mesmos. Filhos fortes são aqueles que são capazes de olhar para o outro, que criam vínculos verdadeiros, que encontram um propósito além dos próprios interesses.”
É uma virada de chave simples, mas que muda bastante a forma como a gente encara a criação. Se força fosse sinônimo de “dar conta sozinho”, a gente estaria treinando os filhos pro isolamento, não pra vida.
O que a pesquisa realmente mostra
Existe, sim, um debate sério sobre como a empatia das novas gerações vem se comportando ao longo do tempo — e vale a gente entender com precisão, sem exagerar.
Um estudo de referência da pesquisadora Sara Konrath, da Universidade de Michigan, analisou dados de mais de 13 mil universitários americanos entre 1979 e 2009 e encontrou uma queda real nos níveis de empatia ao longo desse período, especialmente a partir dos anos 2000. Mas essa mesma pesquisadora, em um levantamento mais recente que atualiza os dados até 2018, encontrou o movimento inverso: os indicadores de empatia voltaram a subir depois de 2009 — justamente na janela em que os adolescentes de hoje nasceram e começaram a crescer.
Ou seja: não dá pra afirmar que a geração atual é “a menos empática da história.” O retrato é mais complexo, e inclusive mais esperançoso, do que essa frase sugere.
O que isso não muda é a pergunta de fundo que a Mari levanta: será que a gente está formando filhos capazes de olhar pro outro? Essa pergunta continua valendo, mesmo sem precisar de um rótulo alarmista pra justificar a preocupação.
Frustração não é o inimigo
Um dos pontos que a Mari puxa pro próximo episódio da série é sobre como lidar com a frustração — e aqui ela toca em algo que educadores e psicólogos do desenvolvimento vêm reforçando há tempos: é justamente no atrito com o “não” que a criança desenvolve tolerância, resiliência e capacidade de esperar.
Isso não significa expor o adolescente à frustração de propósito. Significa não blindar ele dela o tempo todo. Deixar que a decepção de um “não” aconteça, sem resgate imediato, é parte do que ensina a lidar com o mundo real — que não vai sempre dar o que ele quer, na hora que ele quer.
O que fica
A gente não precisa de estatísticas assustadoras pra justificar por que vale a pena formar filhos capazes de se conectar, de servir, de olhar pro outro. Essa é uma escolha de valor, não uma resposta de pânico a uma crise geracional.
O convite da Mari, tirando o exagero do enquadramento, continua de pé: força não é isolamento. É vínculo.

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