Fases, Vida Real

Quando seu filho passa a precisar menos de você

Por muito tempo, ser mãe foi sinônimo de ser indispensável. Você preparava a comida, escolhia a roupa, resolvia o problema, secava a lágrima, sabia de tudo antes de qualquer um. A criança precisava de você para quase tudo, e essa necessidade, embora cansativa, tinha um lado reconfortante: ela confirmava, todos os dias, o tamanho da sua importância. Na adolescência, essa necessidade começa a diminuir, e mexer com isso é mais difícil do que parece.

O filho passa a fazer sozinho o que antes dependia de você. Esquenta a própria comida, resolve a própria pendência, toma decisões sem consultar, prefere a opinião dos amigos à sua em vários assuntos. Cada uma dessas pequenas independências pode soar, no peito de quem ama, como um afastamento. E é comum a mãe se pegar pensando: ele não precisa mais de mim. Essa frase, dita em tom de tristeza, esconde uma verdade que, olhada de frente, é uma vitória.

Porque o filho precisar menos de você é, literalmente, o resultado esperado de uma boa criação. Ninguém cria um filho com o objetivo de que ele dependa da mãe para sempre. Cria-se para que ele se torne capaz, autônomo, apto a tocar a própria vida. Quando seu filho começa a precisar menos de você nas pequenas coisas, ele está demonstrando, na prática, que aquilo que você ensinou pegou. A independência dele é o seu trabalho dando certo.

Vale também desfazer um mal-entendido importante. Precisar menos não é amar menos, e não é deixar de precisar. O filho adolescente continua precisando muito de você, só que de outras coisas. Ele precisa menos de tarefas práticas e mais de presença afetiva. Menos de alguém que resolva e mais de alguém que escute. Menos de mãe operacional e mais de mãe disponível. A necessidade não desapareceu, ela subiu de nível, ficou mais sutil e, de certa forma, mais profunda.

O desafio, então, é fazer o luto da mãe indispensável sem transformar isso em vazio. Quando o filho desocupa parte do espaço que ocupava na sua rotina, sobra tempo e sobra energia. Esse espaço pode ser ocupado por culpa e saudade, ou pode ser ocupado por coisas suas, projetos, relações, interesses, vida própria. Mães que reencontram seus próprios projetos nessa fase não só sofrem menos com a independência dos filhos, como dão a eles um exemplo precioso: o de que a vida continua interessante em todas as idades.

Ver o filho precisar menos de você é uma das experiências mais agridoces da maternidade. Tem perda, sim, e ela é real. Mas tem, sobretudo, conquista. Você está diante de uma pessoa que aprendeu a se virar, e que aprendeu, em boa parte, com você. Precisar menos de você no operacional é o jeito que o seu filho tem de dizer, sem palavras, que você o preparou bem.

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